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30/10/2015

Ministério vai estudar ‘pílula do câncer’

 

O Ministério da Saúde vai criar um grupo de trabalho para estudar a fosfoetanolamina, substância com suposta ação contra o câncer que vinha sendo produzida no Instituto de Química da USP de São Carlos. “Temos de colocar fim nesta celeuma. Precisamos dar uma resposta para a sociedade”, afirmou o ministro Marcelo Castro.

Uma portaria sobre o assunto deve ser publicada hoje no Diário Oficial. O texto, ao qual o Estado teve acesso, estabelece prazo de 60 dias para que a comissão apresente uma linha básica de atuação. Para que as pesquisas sejam feitas, no entanto, é preciso o aval do grupo que desenvolveu a substância na USP. A universidade não comenta o assunto.

O formato proposto pelo governo prevê a análise da molécula, a realização de estudos para avaliar o mecanismo de ação e toxicidade da substância até uma eventual realização de pesquisa clínica. “Nunca foi feito nada disso. E se criou uma tensão nacional. A grande preocupação é que pessoas deixem de fazer o tratamento adequado para usar um produto que não tem eficácia comprovada”, disse o ministro.

Incor e Fiocruz. A ideia é que Instituto do Câncer e a Fiocruz participem dos trabalhos. Castro afirmou que o ministério vai arcar com os custos do financiamento.

“Não serão necessários muitos recursos”,disse.A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai acompanhar os trabalhos. “Todas as etapas serão respeitadas, incluindo, por exemplo, o aval das comissões de ética”, disse Costa. O ministro ainda fez apelo para que pessoas não usem a substância.

“É temerário. Não sabemos os efeitos que pode causar. Não quero entrar no mérito porque testes não foram feitos até agora.

O importante é esclarecer.” Castro observou que, ao longo dos últimos meses, criou-se no imaginário da população a falsa ideia de que a substância somente não é comercializada por pressões de grandes grupos econômicos. “Não é isso”, disse.

Ele observa que o produto não passou por estudos que demonstrem eficácia e segurança.

Não há prazo para que estudos sejam concluídos. “Vamos fazer de forma ágil. Se ela for boa, aí sim, médicos poderão prescrevê-la, liminares poderão ser concedidas. E se ela não tiver efeitos esperados, se não for segura,que se descarte e não fique essa celeuma.” Garrafada. Desenvolvida por um grupo de pesquisadores liderados pelo químico Gilberto Chierice,a substância foi durante anos fornecida gratuitamente para pessoas interessadas.

Em setembro,o Tribunal de Justiça de São Paulo vetou a distribuição.

Dias depois, o Supremo Tribunal Federal decidiu em favor de um pedido para um paciente.

O descompasso levou a uma onda de liminares.

Ontem, uma audiência pública foi realizada no Senado sobre o assunto.Entreos ouvidos, estavam o presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, e o químico Gilberto Chierice. “Fiquei feliz com o depoimento do professor, que disse não ter intenção de que o produto se transforme numa garrafada.Para isso,é preciso fazer estudos controlados, padronizados”, disse Barbosa.

O presidente da Anvisa afirmou ainda que o produto preenche dois critérios necessários para ser avaliado na Anvisa com prioridade: inovação e potencial para tratamento de doença de grande impacto para saúde pública. “Nunca houve pedido de análise do medicamento.Estamos convictos de que na Anvisa, caso necessário, o processo será rápido.”

Fonte: Abradilan

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